Mostrar mensagens com a etiqueta CRÓNICAS CINÉFILAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CRÓNICAS CINÉFILAS. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de março de 2022

ÓSCARES 2022 – O Ano da Chapada

Aviso: Esta crónica é politicamente incorrecta.

Quem me conhece, pelo menos minimamente, sabe que estou farto do politicamente correcto e da falta de humor dos dias de hoje. Tudo é levado a sério e há sempre alguém que fica ofendido com alguma coisa. Diria mesmo que (o Covid e a invasão da Ucrânia não têm nada a ver com isso) estamos a viver a década mais chata da raça humana. Mas, vou-me debruçar sobre os Óscares.

A importância dos famosos Óscares, supostamente os melhores e, decididamente, os mais famosos prémios cinematográficos na História do Cinema, é cada vez mais fraca e a cerimónia da entrega dos prémios perdeu a graça e o sentido de espectáculo (ainda me lembro de alguns fabulosos números musicais que abriam a cerimónia), tornando-se numa longa e aborrecida noite de discursos, de piadas com pouca graça e passagem de modelos.

Quando há uns anos, Will Smith e muitos outros ficaram ofendidos por não haver um único actor negro entre os nomeados desse ano e pensaram em boicotar os Óscares, temi o pior. Quando, mais tarde, ouvi falar da possibilidade de prémios para actores de cor, achei isso assustador. Atenção, não tenho nada contra actores negros; para mim, são todos iguais, independentemente da sua raça, sexualidade e escolhas politicas. A mim o que me interessa é a qualidade das suas interpretações, tudo o resto para mim é secundário. Bem, sei que isto vai soar mal, mas julgo que há limites. Por exemplo, nos palcos de Londres vai estrear uma nova produção do MY FAIR LADY com uma atriz negra no papel principal e não estou nada convencido com a ideia.

Acho que os Óscares e qualquer outro prémio devem ser “cegos” quanto à raça dos artistas, mas não concordo com as chamadas “cotas”, em que alguém só ganha o prémio porque não é branco, ou porque é queer ou outra razão qualquer. Acho que isso não faz sentido, devem ganhar apenas se o merecerem, e apenas por isso. Na minha opinião, o problema não é falta de nomeações para actores não brancos, mas sim por não lhes darem melhores papéis.

E eis-nos chegados à noite de ontem, onde o que ficou registado, não foi o facto de Will Smith ter ganho o Óscar de Melhor Actor (o prémio devia ter ido para Benedict Cumberbatch) mas sim o facto de ele ter agredido Chris Rock, por uma das suas infelizes piadas sem graça (uma das “imagens de marca” da cerimónia nos últimos anos). Felizmente, são os dois negros, caso contrário os media e as redes sociais já estariam a ferver com questões racistas.

Tinha dito a mim próprio que se o filme CODA ganhasse o prémio para Melhor Filme, deixaria para sempre de dar importância aos Óscares e foi isso que aconteceu. CODA, apesar de ser inferior à versão original francesa, é um bom filme, mas não está à altura de BELFAST, DON’T LOOK UP, DUNE, NIGHTMARE ALLEY (o meu favorito), WEST SIDE STORY ou THE POWER OF THE DOG. A verdade é que acho que ganhou porque toca num assunto muito querido à Academia de Hollywood, personagens com deficiências físicas, neste caso uma família de surdos mudos. Como se isso não bastasse, ainda ganhou Melhor Argumento Adaptado (com uma história perfeita para uma matiné em casa) e Actor Secundário para Troy Kotsur, que vai bem, mas não faz sombra a Kodi Smith-McPhee nem aos outros. Vou ser mau, acho que ele ganhou, porque assim foi o primeiro actor masculino surdo-mudo a ganhar o prémio.

Mas o politicamente correcto continuou durante a noite. Jane Campion, uma mulher, ganhou o merecido Óscar para Melhor Realizador e Ariana DeBose (que não seria a minha escolha) como Melhor Actriz Secundária. O que me irrita não é DeBose ter ganho, mas sim o facto de parecer que a sua vitória é mais importante por ela se tornar a primeira atriz queer de cor a ganhar o prémio, do que pela qualidade da sua interpretação. Mas é o mundo em que vivemos. Pelo menos, entre os actores, Jessica Chastain é única que parece não pertencer a nenhuma cota.

E pronto tenho dito. Espero não ter ofendido ninguém, mas se o fiz não foi intencional. Isto é mesmo o que penso e estou cansado de termos que ser todos tão polidos e de já não se puder brincar com nada. Para o ano haverá mais Óscares, que ganhem os melhores, não por preencherem cotas, mas sim por serem muito bons!




quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

PRÉMIOS TOMÉ 2021: OS MELHORES EM CINEMA

















Em 2021 o COVID continuou, directa ou indirectamente, a afectar as nossas vidas e ainda estamos a aprender a viver com o mesmo e com as suas consequências, entre elas o acesso, por vezes complicado, às salas de cinema.

Felizmente, as ofertas nos serviços de streaming (Netflix, HBO, Disney, Amazon Prime, etc) vão crescendo em quantidade e, mais importante, qualidade. Por vezes com filmes mais interessantes do que muitos dos que chegaram às salas de cinema de Lisboa.

 

Assim, tal como já aconteceu no ano anterior, a minha política de escolha dos melhores do ano, inclui não só as estreias nos cinemas, mas também os filmes que estrearam em streaming e nos clubes de vídeo durante o ano, e que eu tenha visto.

 

Em relação ao circuito comercial das salas de cinema em Lisboa cidade, estrearam 207 filmes de ficção. Como devem calcular, não os vi todos e muitos nem sequer me chamaram a atenção, fiquei-me por cerca de 25%. 

 

Assim, deixo-vos aqui os PRÉMIOS TOMÉ (os meus Óscares pessoais), bem como a lista dos meus 12 filmes preferidos (por ordem de preferência).

 

O filme mais distinguido é LAST NIGHT IN SOHO com 6 prémios, seguido de CRUELLA, DON'T LOOK UP e THE FRENCH DISPATCH com 4 prémios, THE POWER OF THE DOG com 3 prémios e, com 2 prémios: THE SUICIDE SQUAD e THE MAURITANIAN. 
















OS 12 MELHORES FILMES DE 2021




segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

THE SKULL AWARDS 2021


                  









Em 2021 continuámos a viver um cenário que pensávamos ser apenas possível nos filmes de ficção-cientifica. Mas a porra do COVID parece que veio para ficar e temos mesmo que aprender a viver com o mesmo. 

Este é o segundo ano que, ao fazer as minhas escolhas cinéfilas, não incluo apenas as estreias no circuito comercial dos cinemas de Lisboa, mas também os filmes que estrearam nos serviços de streaming e nos clubes de vídeo do MEO e afins. Como é óbvio, só contam os filmes que vi.

 

Em relação ao circuito comercial das salas de cinema de Lisboa, contei 37 estreias que, para mim, se englobam nos géneros Terror, Ficção Científica e Fantástico/Fantasia. Dessas estreias vi 25, cerca de 68%. Às 37 estreias que menciono, junto mais 14 filmes que ficaram disponíveis nos serviços de streaming ou clubes de vídeo

 

O filme mais distinguido é LAST NIGHT IN SOHO com 7 prémios, seguido de DUNE com 3 prémios e THE SUICIDE SQUAD, SAINT-MAUD e NO ONE GETS OUT ALIVE com 2 prémios. 








quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A PROPÓSiTO DO MOTELX

Não me recordo com que idade é que comecei a gostar de cinema, mas não me lembro de nenhuma altura na minha vida em que o cinema não fizesse parte de mim. Depressa me apaixonei por dois géneros específicos, ambos de puro escape, o Musical (culpa das matinés televisas com o Fred Astaire e a Ginger Rogers) e o Terror (a culpa foi dos contos de fadas originais, pré Disney). É sobre este último género que me vou hoje debruçar.

Não tenho a certeza se O FILHO DE DRÁCULA foi o primeiro filme do género que vi, mas é o primeiro de que me recordo de ver na televisão. ABBOTT E COSTELLO E OS MONSTROS, visto em 1975 no cinema Caleidoscópio, tinha então 11 anos, abriu-me a porta do género no cinema e, uns meses depois, vi o meu primeiro filme de terror “adulto” numa sessão da meia-noite, A IMAGEM DO MEDO (A Reflection of Fear) era o seu título e confesso que me meteu mesmo medo.

 

Depressa me tornei um ávido fã do género, vendo todos os filmes que podia. Sem clubes de vídeo nem internet, era aproveitar o que aparecia nos cinemas ou na televisão. Infelizmente o género não tinha grande divulgação por cá e eu “babava-me” a ler a revista “Famous Monsters” e mais tarde a “Fangoria”. Ouvia rumores de que em Paris e noutras cidades existiam salas de cinema especializadas no género e sonhava que um dia existisse uma dessas em Lisboa (o extinto Xenon foi quase isso).

 

Quando em 1981 o Fantasporto nasceu na sua cidade homónia, só me apeteceu mudar.me para lá, mas esse Festival fez, no seu início, algumas curtas visitas a Lisboa e acabei também por ir dois anos de propósito ao Porto para ver filmes de terror. Só que de repente a programação do Fantasporto começou a mudar, com o número de filmes de terror a diminuir e outros géneros a ganharem força. É verdade que o Fantasporto nunca se anunciou como um festival de cinema de terror, mas sim como o Festival Internacional de Cinema do Porto, com um carinho especial pelo cinema fantástico no geral. Talvez percebam melhor o que eu quero dizer, se souberem que, neste ano de 2021, o filme de abertura foi o drama MORTE EM VENEZA de Luchino Visconti e o de encerramento o western NO MAN’S LAND.

 

Claro que a existência do Fantasporto, me fez sonhar que um dia seria possível ter um festival do género em Lisboa e, eis que em 2007, aparece o MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Sim, leram bem, Cinema de Terror. Não é fantástico, a designação é mesmo “terror”!

 

Este Festival nasceu a partir do CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa, um clube criado em 2005, cuja uma das primeiras sessões (se não mesmo a primeira) teve lugar no extinto Cinema King; onde numa sessão da meia-noite exibiram DOG SOLDIERS de Neil Marshall. Depressa fiquei atento aos seus projectos e mal podia acreditar quando, há 15 anos atrás, anunciaram o nascimento do MOTELX e acreditem que sou frequentador do mesmo desde a primeira edição.

 

Infelizmente, nos últimos anos deste Festival, o cinema de terror anda a ceder demasiado espaço a thrillers, dramas negros e como resultado este ano só fui ver dois filmes. Não há falta de filmes de terror, por isso por que razão se inaugurou a edição deste ano com o THE GREEN KNIGHT? Percebo que seja importante exibir cinema português, mas o que é que os filmes 20,3 PURGATÓRIO e INFERNO têm a ver com o género?

 

Também compreendo que os filmes que concorrem ao Prémio MotelX – Melhor Longa de Terror Europeia / Méliès d’argent, não sejam propriamente de terror. O Golden Méliès for Best European Fantastic Film é, como o nome diz, para cinema fantástico e não exclusivo para cinema de terror.



Não faço a mínima ideia de como se organiza um festival desta envergadura e não tenho dúvidas que deve dar imenso trabalho. Talvez que os responsáveis pela programação não tenham grande hipótese de escolha ou tenham uma percepção diferente da minha do que é o Cinema de Terror. Mas custa-me a acreditar que não fosse possível trazer ao festival mais filmes que fossem mesmo de terror (o novo HALLOWEEN, DEMONIC, ANTLERS, etc). Mas não é só a programação que me têm vido a decepcionar, mas também o sentido de “festa” que o Festival tinha. Sei que a situação do COVID não ajuda, mas onde estão os cartazes dos filmes? Os cenários e os personagens de terror que se encontravam no São Jorge? Espero que os seus organizadores não achem que, agora que o MOTELX é um Festival de prestígio, que este deva perder a loucura salutar que atraiu os fãs e que fez do Festival um sucesso. Nós merecemos um festival tão louco quanto nós! Mas não me interpretem mal, continuo a agradecer do fundo coração a existência do MOTELX!

 

Para terminar, que isto já vai longo, quando era adolescente li um livro chamado “A Pictorial History of Horror”. Nesse o seu autor, Dennis Gifford, afirmava; 

“Para mim, um elemento de fantasia é essencial para um verdadeiro filme de terror: o impossível em vez do improvável. O vampiro, o lobisomem, os mortos-vivos e os monstros criados pelos homens – estes são os heróis do cinema de terror e não os inquilinos, os estripadores e os psicopatas encapuçados”.

Talvez as suas palavras me tenham influenciado, pois concordo quase na totalidade com a sua afirmação e adoro tudo o que tenha a ver com o sobrenatural. Mas ao contrário dele, para mim os psicopatas também fazem parte do género que amo, o Terror. 

 

Bem, espero que para o ano, o Terror volte em força ao MOTELX! Nós os fãs do género aguardamos ansiosamente pelo seu regresso!

 

Texto © Jorge Tomé Santos / 21.09.2021

sábado, 9 de janeiro de 2021

PRÉMIOS TOMÉ 2020: OS MELHORES EM CINEMA

2020 foi talvez o ano mais estranho que, quase todos nós, vivemos. A culpa foi do COVID e das suas terríveis consequências na vida de todos nós. 

Falando do assunto que aqui me traz, cinema, tudo foi diferente. As salas de cinema fecharam as suas portas durante semanas e, quando reabriram, foi a meio gás; isto levou a que o número de estreias diminuísse consideravelmente e o interesse das mesmas também. Valeu-nos os serviços de streaming (Netflix, HBO, Disney, etc) que ganharam adeptos e nos ofereceram uma grande variedade de filmes; bem como os clubes de vídeo do MEO, NOS, Vodafone e outras. 

Tudo isto levou-me a alterar a minha política de escolha dos melhores do ano. Em vez de me restringir apenas às estreias nas salas de cinema, decidi abrir o leque e incluir os filmes que estrearam em streaming e nos clubes de vídeo durante o ano de 2020 e, claro, que eu tenha visto.

 

Em relação ao circuito comercial das salas de cinema em Lisboa cidade, estrearam 224 filmes de ficção. Como devem calcular, não os vi todos e muitos nem sequer me chamaram a atenção, fiquei-me por 28%. 

 

Assim, deixo-vos aqui os PRÉMIOS TOMÉ (os meus Óscares pessoais), bem como a lista dos meus 12 filmes preferidos (por ordem de preferência).

 

O filme mais distinguido é UNE SIRÈNE À PARIS de Mathias Malzieu  com 7 prémios, seguido de 1917 de Sam Mendes  com 6 prémios, MISS de Ruben Alves com 4 prémios e, com 2 prémios: ÉTÉ 85 de François Ozon, ORDEM MORAL de Mário Barroso e SOUL de Peter Docter & Kemp Powers

 

Para além desta lista, também podem consultar os meus SKULL AWARDS 2020.













OS MEUS 12 FILMES PREFERIDOS DE 2020